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IBM votes NO on Open XML in ECMA http://www.sutor.com/newsite/blog-open/?p=1264
Não me surpreende a IBM votar contra o OpenXML, já que toda a estratégia de mercado dela para Gerência de Informação passa por convencer os governos que o ODF é o único padrão aberto para armazenar documentos. Com o OpenXML agora sacramentado como um padrão internacional e aberto o argumento da IBM perde toda a credibilidade.
Fernando, A estratégia da IBM, de muitas outras empresas e as necessidades dos governos dependem realmente da adoção de padrões abertos. Felizmente a Microsoft parece estar acordando para esta realidade, porém infelizmente suas ações ainda não condizem com o seu discurso.
2 padrões para que ? Se a M$ realmente quisesse interoperabilidade teria aderido ao ODF que é agora um padrão ISO, de direito. A ECMA é um padrão criado por empresas, que com exceção da IBM, parecem ser fortemente dominadas e manipuladas pela MS. E se a MS participou do consórcio que criou o ODF, por que não ajudou ? Parece aqueles filhos mimados que saem de uma jogo com a bola porque não podem mandar mais na partida.
Caro ASF, a estratégia da IBM não tem nada a ver com padrões abertos - caso contrário teria votado SIM ao OpenXML, que é um padrão aberto.
"Caro ASF, a estratégia da IBM não tem nada a ver com padrões abertos - caso contrário teria votado SIM ao OpenXML, que é um padrão aberto." Por favor, leia novamente os motivos: IBM votes NO on Open XML in ECMA http://www.sutor.com/newsite/blog-open/?p=1264 E por que a MS não contribui para fazer um merge entre ODF e OpenXML? Nesse caso único, aberto e completamente suportado por todos não seria melhor do que dois? Por que a diferença entre ~700 páginas e ~6000 de especificações? Por que a necessidade de atrelar features a plataforma? Não seria mesmo: Interoperability vs. intraoperability? Abraço, ASF http://antoniofonseca.wordpress.com
Caro Antonio, Esta janela aqui é horrível para debater qualquer coisa :(. Mas vamos lá: "Nesse caso único, aberto e completamente suportado por todos não seria melhor do que dois?" Claro que não. Muito melhor é ter vários formatos abertos, HTML, PDF, ODF, OpenXML, cada um com suas vantagens, e deixar o usuário escolher o melhor formato para a sua aplicação. Estranho você querer impor um formato único para todos os usos. O OpenXML é ideal por exemplo se você quer um formato compatível com os documentos Office já existentes. Se um documento Word por exemplo tem um trecho em highlight (a caneta iluminadora), como você usaria o ODF se este recurso que não é suportado no formato? "Por que a diferença entre ~700 páginas e ~6000 de especificações?" Mais um dos pontos positivos do OpenXML. O OpenXML suportar muito mais recursos que o ODF, e da documentação é bem mais detalhada (o padrão ODF por exemplo "esqueceu" de especificar como fórmulas são armazenadas em arquivos de planilhas, entre outras coisas). Por sinal todas as outras principais suítes de escritório (Corel, Gnumeric, OpenOffice) anunciaram suporte ao OpenXML, e nenhuma citou o tamanho da especificação como problema. "Por que a necessidade de atrelar features a plataforma?" Por ser mais específico? O OpenXML não é atrelado a nenhuma plataforma.
sao raras as janelas aqui aonde se tem uma discussão séria de idéias como essa .porque normalmente o pessoal que prega a "liberdade de escolha" parece querer impor as coisas e quando nao sao aceitas ofendem os usuários ? isso me lembra partes tristes da historia da humanidade
Caro prof. André Luiz, o contra-senso não passa desapercebido. ;) Note que a discussão progressivamente deixa de ser sobre padrões abertos - isso tanto o OpenXML quanto o ODF são - e passa para a imposição de um padrão único para todos os usuários.
Por sinal, a China criou um padrão nacional próprio para documentos XML Office, o UOF. Um artigo na O'Reilly diz porque isso é uma boa coisa - http://www.oreillynet.com/xml/blog/2006/12/why_chinas_uof_is_good.html.
Só para registrar, não defendo qualquer imposição de padrão. Apenas parece-me mais vantajoso nesse caso específico (formato universal de documentos) o desenvolvimento de um padrão único e universal (como a própria MS já defendeu no passado quando deslumbrou-se inicialmente com as possibilidades do XML). Não vejo vantagens práticas em estabelecer vários padrões concorrentes nesse caso específico. ODF ou OpenXML? Por que não colaborar no desenvolvimento de um único? Para a Microsft a resposta é simples, isso não é vantajoso porque outros participantes não aceitariam adicionar características ao padrão que o atrelasse a uma única plataforma. A postura da MS é correta? Depende do ponto de vista de cada um. O que eu acho que vai acontecer? Certamente um prevalecerá e será mais usado e mais popular (pelo menos o teremos uma alternativa, a do "perdedor" - nesse caso até dá pra concordar com o Fernando). Vai ser mais ou menos como vimos acontecer com o TCP/IP e IPX/SPX (guardadas as devidas proporções é claro). De nada adiantou a insistência da Novell, no final ele teve que adotar o padrão realmente aberto (ao que me consta não sem antes custar um processo contra a MS por distribuição ilegal deste no Windows 95 - por favor, me corrijam se eu estiver errado).
Caro ASF, estou relendo o que escrevi e não vi onde possa ter te ofendido, e não tenho nenhuma intenção em fazer isso. Afirmei que sua posição é a de impor aos usuários um formato único, quando a outra posição é a de deixar os usuários utilizarem o formato aberto que eles acharem melhor para os seus propósitos.
Padrões que querem ser tudo para todo mundo em geral acabam sendo nada para ninguém. O melhor exemplo disso foi a iniciativa OSI patrocinada pela ISO nos anos 80, que ambiciosamente queria criar um único padrão para todos os protocolos de rede, eliminando todos os outros que existiam na época. O resultado foi um monstro que nunca foi plenamente utilizado, e foi eventualmente eclipsado pelos protocolos IP.
"Padrões que querem ser tudo para todo mundo em geral acabam sendo nada para ninguém." É pensando assim talvez dê para incluir nesse rol coisas obscuras como: TCP/IP, HTML, JAVA, .NET e por que não dizer o próprio SO Windows. Essa conversa não tem fim porque não existe a possibilidade prática de que venha a concordar comigo, mesmo que mude de idéia. Não ABERTAMENTE. Mas não esquenta, deixa quieto. ;-)
Caro ASF, Java (padrão proprietário) e .NET (padrão ISO) são um excelente caso de padrões concorrentes. Acho que meu ponto não poderia ter melhor exemplo.
Fernandão e seu joguinho de palavras. :-) Ok, você me pede para ser honesto e tão vamos lá: 1- Não quero impor nada há ninguém ou cercerar qualquer liberdade; 2- Um padrão único não é desejável para todas as situações (ex: Windows, começou com a necessidade de maior padronização, faz muito sucesso por causa da integração e nos deixou na mão, com um abacaxi podre do tamanho de um monopólio de mercado de alcance global); 3- Java está sendo licenciado sob licenças livres, .Net só roda em Windows, Mono é uma iniciativa de software livre que tenta corrigir esse grave e indesejável defeito do .Net (com possibilidade de sucesso completo imprevisível); 4- No caso específico do formato de documentos eletrônicos seria desejável um padrão universal e aberto com possibilidade de extensões e não atrelado a uma única plataforma ou fornecedor (caso fosse não seria realmente aberto). Definições decididas em consenso. O seu OpenXML poderia até surgir como um fork do ODF ou vice-versa caso houvesse divergência irreconciliáveis na condução do padrão/projeto e esse sequer é o caso - por segurança eu peço que você leia a afirmação 1 novamente; 5- Concorrência e diversidade são saudáveis e necessárias a inovação vide a estagnação sofrida pelo mercado de software "mainstream" em toda a segunda metade da década de 1990 graças ao monopólio de mercado estabelecido pela Microsoft - estagnação no sentido da inovação e da qualidade do software. Não fosse pelo FOSS, e pelo Linux mais especificamente, esses seriam anos preciosos totalmente desperdiçados. Estaríamos afundados na falta de segurança e confiabilidade da plataforma Windows e totalmente sem alternativa. E o que é pior subjugados aos ditames de uma única empresa. Além do fato de que várias áreas importantes que dependem diretamente da evolução do software não teriam avançado tanto, para citar apenas uma: HPC; 6- A existência de um padrão aberto para um formato de documentos universalmente compatível e não atrelado a uma única plataforma serve justamente fomentar tudo de positivo que é defendido na afirmação 5 acima - novamente por segurança leia minha afirmação 1; 7- Atenha-se a discussão. Infelizmente não conseguimos discutir especificamente ODF x OpenXML. Eu até que poderia mudar minha opinião inicial se você conseguisse me convencer do contrário, não haveria nenhum problema ou consequência pra mim. Pergunto, você poderia afirmar o mesmo? Abraço, ASF
Oi ASF, "Eu até que poderia mudar minha opinião inicial se você conseguisse me convencer do contrário, não haveria nenhum problema ou consequência pra mim. Pergunto, você poderia afirmar o mesmo?" Sim, claro. Mas se o argumento for que devemos impor um padrão único aos usuários te adianto que a chance de isso acontecer é nula.
Portanto não há qualquer confusão entre *padrões abertos* com *código aberto*.
"Sim, claro. Mas se o argumento for que devemos impor um padrão único aos usuários te adianto que a chance de isso acontecer é nula." Uma pergunta simples: essa preocupação realmente se estende a todo o resto além desse caso específico do formato de documentos? Por favor não leve essa discussão para o lado pessoal (sei que você não está fazendo isso, mas não custa nada deixar isso claro). Veja um dos maiores desafios a serem enfrentados por empresas como a Microsoft é justamente essa aproximação irreversível com o universo do FOSS. Nem eu, nem você, nem a comunidade FOSS, nem mesmo seus patrões ou os melhores cérebros na folha de pagamento de sua empresa tem todas as respostas necessárias ou uma fórmula para que essa convergência ocorra com sucesso. Eu particularmente prefiro não me basear em pré-conceitos. Mas também costumo ser pragmático. Portanto devido ao histórico da Microsoft é natural que do lado de cá nos mantenhamos em alerta. Deixa eu ter falar uma coisa, vamos usar minha a experiência particular no uso de computadores e depois tentar extrapolar isso para analisar o que se passa na cabeça da maioria das pessoas hoje dia: Eu sou um feliz usuário do sistema operacional Linux e de FOSS de uma forma geral. Ainda não abandonei completamente a plataforma Windows (sim meu Windows é original, eu paguei por ele), tanto por razões pessoais como profissionais. Mas não sou usuário do MS Office (uso OpenOffice.org por opção em ambas as plataformas). Também não sou usuário do IE por não confiar na segurança desse software e porque ele não me oferece todos os recursos e a extensibilidade que o Firefox me proporciona (novamente, utilizo o FF em ambas as plataformas) Hoje tem pouquíssimas coisas na plataforma Windows que realmente me agradam, por exemplo adoro a qualidade da fontes (letras) exibidas nas telas de LCD graças ao ClearType(r) da Microsoft. Gostaria muito de ver algo com a mesma qualidade para o xserver, eu inclusive estaria disposto a pagar por isso. Gostaria também de contar com o suporte oficial dos fabricantes de alguns gadgets como PDAs para o Linux (sou um feliz usuário do Palm TX). Seria ótimo poder inserir o CD que acompanha o produto e instalar uma aplicação desenvolvida pelo fabricante nativamente para o meu sistema operacional favorito (como já ocorre com Windows e Mac OS). Mas não ter isso não chega a ser desencorajador, muito pelo contrário! ;-) Até mesmo porque existem ótimas ferramentas livres, porém o suporte oficial nesse caso seria bastante desejado. Todo o resto me desagrada muito no Windows, por exemplo a multitarefa é muto inferior ao que eu consigo com o Linux e falar de confiabilidade e segurança nesse sistema, conforme minha experiência, está completamente fora de questão. Algo que eu desejaria muito no Windows seria um CRTL+ALT+F1, para o caso de problemas. As vezes o sistema fica praticamente sem responder e não dá nem mesmo pra usar o "task manager". Eu posso te mostar isso por exemplo ao acessar um simples e inofensivo script hospedado em um website, fazendo ele se passar por uma imagem .jpg ou .gif. Simplesmente não fico tranqüilo, confiante, ou me sinto realmente seguro quando preciso conectar meu PC rodando Windows a Internet ou a uma rede sem fio "pública" qualquer. Não importa o quanto o sistema esteja atualizado ou mesmo se estou usando as melhores e mais atualizadas ferramentas de proteção fornecidas por terceiros. O mesmo não acontece quando estou rodando o Linux. Meu firewall por exemplo foi escrito por mim utilizando basicamente Netfilter/Iptables, não preciso de anti-virus e de outros remendos. Eu sei exatamente o que está executando na maquina em um dado momento e tenho total controle sobre como se comporta o meu PC. Sou eu quem define como ele vai funcionar, não sou impedido de nada e nada me é imposto, nada acontece sem o meu expresso consentimento. E não deveria ser assim, afinal a máquina é minha e fui eu quem pagou por ela. A maneira como o Linux (*UNIX) se comporta, os recursos e as ferramentas que ele me proporciona eu não encontro no Windows (em nenhuma versão). Se encontrasse, aliando ao fator confiabilidade, certamente usaria mais o sistema da Microsoft. Precisar pagar por ele não é o real problema. Digo o mesmo para uso dentro das empresas, tenho anos de experiência com ambas as plataformas e posso afirmar que o Windows dá muito mais trabalho e dor de cabeças para o profissional de TI. Há problemas crônicos no que diz respeito a confiabilidade da plataforma em algumas situações ou cenários de uso. Existe a falta de ferramentas nativas ou recursos convenientes para algumas aplicações. Há o problema da dificuldade de gerenciamento e configuração em alguns cenários. Há dificuldades desnecessárias (escolhas erradas dos desenvolvedores e não corrigidas adequada mente) para deixar realmente só o essencial executando na máquina quando desejado. Há escolhas de ordem técnica feitas pela Microsoft (possivelmente para estimular a venda de um número maior de licenças) que dificulta ou praticamente impedem a utilização de forma confiável de uma máquina (servidor) única para múltiplos perfis, mesmo quando isso é adequado. Hoje quase sempre prefiro utilizar sistemas de código aberto com Linux para a maioria das aplicações, principalmente no servidor. A conveniência e boa integração oferecida pela plataforma da Microsoft já não são mais suficientes para nos convencer, existem outros fatores que pesam muito mais que isso e negativamente. Veja que não estou fazendo uma avaliação prática, nada de argumentos ideológicos ou políticos aqui. É mas acho que já nos distanciamos irreversivelmente do tema original. Faço um convite para que você visite meu blog em http://antoniofonseca.wordpress.com. Quem sabe podemos continuar a trocar idéias e a aprender mutuamente.
"Faço um convite para que você visite meu blog em http://antoniofonseca.wordpress.com. Quem sabe podemos continuar a trocar idéias e a aprender mutuamente." Claro, com prazer. E assim ainda nos livramos dessa janelinha ;) Abracos, - Fernando Cima
"Claro, com prazer. E assim ainda nos livramos dessa janelinha" Certamente! ;) Abraço, ASF
Olá. Eu li este artigo sobre a IBM citado pelo ASF. Porém ao invés de argumentos técnicos, só tem opiniões e comentários vagos do autor. Aliás, tudo que o ASF disse pra mim são opiniões pessoais e só devem ser levadas em conta como tal. Não merece toda essa atenção.
Concordo com o Cesar. Esse "ASF" não apresentou coerência na argumentação e muitos de seus "fatos" de sua "experiência pessoal" não passam de desinformação. Um discurso como esse cheio de "floreios" dialéticos faz por merecer a irrelevância. Abraço ao pessoal do Porta 25.
IBM 90 ANOS - UMA EMPRESA SORTUDA Boletim AEXI-B Ano 11 numero 71 (o texto é um pouco longo, mas vale a pena ler)Em junho, a IBM completa 90 anos de atuação no Brasil. Na primeira metade do século passado, sua história foi de tabuladoras, relógio de ponto e até máquina de moer café, tudo começando em 1917 com o censo demográfico para o Governo brasileiro. Nas primeiras 3 décadas da segunda metade do século, a IBM se consolida mundialmente e aqui no Brasil com a sua cultura de serviços de tecnologia então jamais vistos.Nesta época, mais de 4.000 brasileiros achavam que tinham chegado ao paraíso. Eram os “IBMistas”, funcionários da IBM Brasil, pois a empresa tinha um conceito de senão a melhor, uma das melhores empregadoras do País, uma companhia modelo mundial em tudo e principalmente no entendimento entre empresa e funcionários.Oferecia emprego vitalício, salários elevados, planos de assistência social inigualáveis e mais um sem número de benefícios e serviços, tudo isto dentro de sua Política de Recursos Humanos diferenciada do Mercado para manter profissionais altamente qualificados em seus quadros.Imaginem que chegou a criar um plano de aposentadoria para seus funcionários no qual só ela contribuía, e ao chegar à idade ou tempo de trabalho limite, o funcionário se aposentaria com todos os direitos desse plano, inclusive seguro saúde. Também é verdade que os recursos que usou no Brasil para isso, foram recursos incentivados e/ou beneficiados pelas regras e leis existentes no país.Mas a IBM era “perfeita” e se assim o fez estava correto. Nenhum funcionário teria dúvidas de que a IBM estava cuidando da aposentaria dele e por isso não precisava de outros planos. Ela tinha catequizado sua legião a independer do mundo externo, pois ela provia tudo que o funcionário necessitava. Eles acreditavam piamente na Empresa.Durante mais de uma década seguidamente a IBM teve o maior lucro do mundo, e durante todos estes anos sempre esteve entre os primeiros graças à visão de sua administração e à dedicação excepcional de seus funcionários. Não podia ser de outra forma. A administração da IBM estava baseada em três CREDOS. “Respeito pelo Indivíduo” era o primeiro e principal deles, cuidando sempre da dignidade e dos direitos de cada pessoa na Organização e não apenas quando for conveniente ou oportuno fazê-lo. Quem não se dedicaria cegamente a uma empresa com tal postura? Com tal Credo?A vida era uma maravilha. O IBMista tinha status, era muito bem recebido em todas empresas e no Governo. A proteção financeira e social da IBM funcionava como uma verdadeira blindagem contra os dissabores que costumam afligir os empregados comuns, e eles não tinham com o que se preocupar, a não ser com o trabalho e seus objetivos.Mas o tempo passou. Os processos operacionais se modernizaram, e... a IBM já não precisava de tantos. A IBM iniciou a quebra dos seus CREDOS. Tinha que demitir os “indivíduos” e então ofereceu um Programa de Demissão Voluntário – PDV chamado internamente de SPECIAL OPPORTUNITY PROGRAM – SOP, que foi logo apelidado de “SOPÃO”, uma indenização financeira pela quebra da promessa de pleno emprego e a informação que não tinham mais o direito ao Plano de Aposentadoria, indenização esta muito aquém daquela que pudesse “comprar” um Plano de Aposentadoria e Assistencial aos moldes daquele que a IBM tinha.Tudo muito bem feito. Afinal a IBM “respeitava indivíduos”. E para isso foi montada uma operação muito bem arquitetada onde os gerentes receberam instruções para “indicar”, dentro de quantitativo determinado, quais os “indivíduos” que deveriam receber o bilhete azul. A mensagem era clara, quem não aceitasse o “convite” para se demitir com o “sopão”, seria desligado dos projetos importantes, e o seu emprego não seria garantido caso não se conseguissem atingir o quantitativo desejado e ele poderia ser demitido sem o “sopão”.Havia até uma assinatura onde o IBMista se dizia “ciente de que não teria mais direito”. Apesar de “ciente” não significar aceitação ou concordância, para a IBM, uma empresa sempre tão clara e precisa, o IBMista estava concordando que não poderia mais participar do plano de aposentadoria, mesmo arcando integralmente com as contribuições, e que não teria como recuperar décadas perdidas por não ter se inscrito em outro plano, pois a IBM, lhe havia garantido um. Tudo isso sem esclarecimento que levasse o “indivíduo respeitado” a repensar sua saída da IBM.Foram mais de 4.000 ex-IBMistas que ficaram desempregados, com esta indenização mas praticamente sem mercado de trabalho pois a oferta superava em muito as vagas disponíveis, que eram poucas para os especialistas IBM. A maioria deles tentou uma adaptação em novas atividades, porém o resultado, na sua grande maioria foi desastroso. O dinheiro foi acabando e as preocupações, antes inexistentes, como plano de saúde, colégios para os filhos, qualidade de vida foram se reduzindo e de concreto mesmo, só poderiam contar com a aposentadoria do INSS. A situação era horrível para a maior parte deles.Nisso, alguém descobre que os IBMistas tinham direito de continuar no Plano de Aposentadoria - o direito de continuarem contribuindo para a FUNDAÇÃO, mantendo a qualidade de participante do Plano e, com isso, assegurando o benefício da suplementação de suas aposentadorias, a ser conquistada, mais adiante, e com isso eles poderiam recuperar, em parte, o status perdido. A Fundação criada pela IBM para complementar suas aposentadorias teria sonegado tal direito quando eles se desligaram dos empregos. A explicação da Fundação era absurda. Ela utiliza três argumentos para negar este direito: 1o – decadência, 2o – renúncia e 3o o fato dela ter feito a contribuição total para a Fundação sem a participação dos funcionários. Embora estes fatos sejam aspectos jurídicos a serem considerados em ações, para os ex-IBMistas essas alegações soam muito mal porque, na verdade, a Fundação IBM não fez essas alegações na época do acordo de saída. Hoje todos eles se sentem enganados uma vez que nunca tiveram a oportunidade de optar pela continuidade ou não de contribuir para a Fundação IBM. Ora se hoje a Fundação apela para a renúncia ou decadência é porque na época havia, de fato, tal direito. Além disso, sem qualquer mudança da lei, em 2005, a IBM alterou os Estatutos da sua Fundação para incluir tal direito, sem qualquer menção ao passado! Quanto ao 3o argumento, a IBM ter feito a contribuição total, o que ela não faz mais desde 1986, face ao superávit existente na Fundação IBM gerado pelos PDV’s, muitos Juizes tem dito que ao fazer a contribuição total, a IBM está fazendo a parte dela e a do funcionário, como remuneração indireta, e por isso o funcionário teria o direito à Fundação, bem como julgam que a IBM deve se enquadrar em todos os incisos de um artigo da Lei e não a somente alguns como ela quer. Os ex-funcionários entraram na Justiça pedindo o resgate do direito com a reintegração retroativa ao Plano de Aposentadoria e de pronto foram ganhando algumas ações, sendo que uma delas em definitivo no STJ.Note aqui que o pleito não é absurdo. Não se pede indenização. Pede-se o direito de ser reintegrado ao Plano que ter a continuidade de seus direitos.Parecia que vinha uma maré de sorte. Puro engano.Os autores da ação ganha no STJ, em 2002, até agora não foram ainda reintegrados. Mas a IBM atesta em Juízo que assim o foram! Fato marcante, é que um deles conseguiu a tutela antecipada do Juiz, a IBM argüiu e ele faleceu sem ter seu direito exercido!Depois desta ação vitoriosa, a Justiça começou a mudar de posição. Ganhava-se na primeira instância, perdia-se no Tribunal. Ganhava-se no Tribunal por maioria, perdia-se no recurso no mesmo Tribunal. Votava-se a favor num processo, meses depois se votava contra, sem qualquer explicação plausível. O STJ não tomava conhecimento dos recursos, pois implicava em reexame de fatos e provas. Em processo que lá chegou vitorioso, foi conhecido e julgado com a cassação da decisão do Tribunal que era favorável aos ex-IBMistas, sendo esta a única exceção até hoje. Desta forma, o cenário na Justiça estava realmente muito difícil. Porém, eis que surge uma janela de esperança. Com o advento do Governo Lula, um Governo para os trabalhadores (não era este o discurso?). A Associação dos ex-IBMistas do Brasil - AEXI-B, resolve enfatizar o uso da Agência supervisora e fiscalizadora dos seus direitos que é a Secretaria de Previdência Complementar – SPC, vinculada ao MPAS. Ela poderia resolver o caso de todo eles de uma só vez. A AEXI-B faz então uma representação junto a SPC em janeiro de 2003. Para o amplo direito de defesa, o novo Secretário forneceu aos ex-IBmistas, que não tinham recebido Estatutos e Regulamentos da sua Fundação, acesso aos arquivos da SPC. Lá eles descobriram que em 1990 a Fundação e a IBM tinham pedido autorização a SPC para poder excluir automaticamente os ex-IBMistas que tivessem cessado o contrato de trabalho com a IBM. A resposta da SPC para a IBM foi NEGATIVA, pois os participantes tinham o direito de dar continuidade ao Plano desde que pagassem o custeio integral do mesmo, dali em diante até poder se aposentar. A SPC em ofício à IBM e Fundação determinava que esse direito fosse respeitado. A AEXI-B levou essa documentação para o pedido concluindo que, se a própria SPC já tinha informado à Fundação IBM, eles tinham o direito de continuar no Plano. Como o Parecer estava demorando, a pedido da AEXI-B, a Comissão de Seguridade Social e Família – CSSF da Câmara dos Deputados convocou uma Audiência Pública para discutir irregularidades relativas à Fundação Previdenciária IBM em 21.10.2003, tendo como convidados o Secretário de SPC, a Superintendente da Fundação IBM, e Membro do Conselho de Gestor da Previdência Complementar – CGPC, JOSÉ RICARDO SASSERON. Apenas o último compareceu e reconheceu que as denúncias eram muito graves e que “a fiscalização (da SPC) foi falha, foi uma negligência do Estado”.Parecia que a sorte ia finalmente chegar.A CSSF, após sua análise e conclusões, reconheceu os direitos dos ex-IBMistas e deveres da SPC. A solução, depois de muita insistência e paciência, saiu através do tão esperado parecer. Coincidentemente ou não, sua entrega ao Presidente da AEXI-B, foi logo após a audiência do Senador Marcelo Crivella com o Ministro da Previdência para cobrar uma solução para o caso. O referido Parecer reconheceu que os ex-IBMistas tinham o direito de continuar no Plano e que a Fundação tinha obrigação legal de oferecer tal opção aos participantes desligados dos empregos, e de incluir tal opção no Regulamento de Benefícios. Entretanto, colocou o ônus de uma prova judicial de que a Fundação não fez a oferta para continuarem no Plano.É verdade mesmo! A SPC partiu do pressuposto que como havia uma determinação sua, em 1990, a Fundação respeitou o direito dos participantes de continuarem no Plano, e ofertou a eles tal opção, muito embora, a Fundação, durante toda a sua defesa junto à SPC alegasse sempre que os participantes não tinham tal direito e também não colocaram tal opção no Regulamento.Ah! Agora a sorte chegou! Conseguiu-se a prova judicial que a SPC exigia e a CSSF encaminhou para a SPC pedindo providências. Mesmo com várias reiterações, somente respostas evasivas, promessas de fiscalização sem nenhuma resposta efetiva e conclusiva até o momento.Na tentativa de novos rumos e soluções efetivas, a AEXI-B fez uma representação junto ao Ministério Público Federal para apurar quais as razões que levaram a SPC negligenciar do seu ofício de fiscalizar os Fundos de Pensão e de proteger os interesses dos participantes dos mesmos, em face das graves denúncias feitas pela AEXI-B e pela CSSF.Com relação à sorte da IBM é que ela e a Fundação tiveram, com a exclusão ilegal de mais de 4.000 ex-IBMistas do Plano de Benefícios, a geração de um enorme superávit, resultado das reservas destinadas aos excluídos, constituída com dinheiro incentivado e que pertence a esses funcionários. Este superávit vem sendo usado para favorecer a patrocinadora IBM que por aquiescência da SPC, não paga mais o custeio do Plano, nem mesmo o administrativo, e ainda retira dele a importância de R$ 120 milhões de reais para pagar o Plano de Saúde que desde 1968 sempre foi encargo da patrocinadora IBM em total desacordo com a lei. É ou não é sorte da IBM? Ou será azar dos ex-IBMistas este fato ter acontecido no Brasil.É, pode ser.Associação dos Ex-funcionários da IBM Brasil – AEXI-B
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