Hoje o Porta 25 reproduz um texto elaborado por César Brod. Confira!

O Brasil tornou-se, nos últimos anos, um terreno fértil para o desenvolvimento e integração de soluções baseadas em sistemas de código livre e aberto. Uma olhada no portal CodigoLivre nos mostra que mais de 1,7 mil projetos são mantidos por mais de 13 mil desenvolvedores. Dentre estes projetos, 309 são baseados na plataforma Microsoft, 291 são independentes de sistema operacional. Há alguns poucos baseados em PalmOS e, claro, a maior parte deles, 509, está sob POSIX (alguma forma de Linux ou Unix). Somando, porém, os projetos que rodam na plataforma Microsoft e os que não dependem de uma plataforma ou outra, vemos que este número é maior do que os que rodam exclusivamente em POSIX.

Estes números podem não refletir fielmente a realidade, especialmente porque em muitos repositórios públicos verifica-se que muitos projetos que são iniciados não são levados adiante após algum tempo. Mesmo assim, considerando a proporcionalidade, verificamos que elas são bastante próximas da realidade. A conclusão é que os desenvolvedores de código aberto estão preocupados que seus sistemas tenham a capacidade de serem executados em plataformas operacionais diversas.

Nota-se que, apesar de algumas reações históricas (e também histéricas) contra as ações da Microsoft em sua aproximação com o mundo Open Source, há um grupo significativo de desenvolvedores de código aberto que são favoráveis ao diálogo e com a possibilidade de ter o suporte necessário para que seus sistemas estejam prontos também para o ambiente Microsoft. Esta foi uma das principais razões que nos levaram a aplicar aqui no Brasil, algumas ações que levariam à facilitar a interoperabilidade entre múltiplos ambientes, de forma similar ao que já era feito no laboratório coordenado por Bill Hilf, nos Estados Unidos.

Ainda que o Porta25 de Roberto Prado tenha entrado no ar em abril de 2006, já constituindo uma ação local da Microsoft em sua aproximação com o código aberto, o Núcleo de Desenvolvimento Open Source e Interoperabilidade começou em agosto de 2006. Iniciamos com um time local, baseado no Rio Grande do Sul, gerenciado por mim e tendo a Fabiana Iglesias como diretora de relações institucionais. Dois assistentes técnicos, Joice Käfer e Luis Bosque, completam a equipe.

Desde o princípio, colocamos nosso projeto dentro do portal Codeplex. Nosso projeto esteve sempre entre os mais ativos do Codeplex e dispõe de um tutorial para o uso do portal em português, um handbook sobre interoperabilidade entre Active Directory Services e OpenLDAP e materiais sobre High Performance Computing produzidos pela equipe do laboratório da Unicamp, coordenado por Fábio Cunha. Também convidamos outros projetos nacionais que fossem multi-plataforma ou tratassem, de alguma maneira, de questões de interoperabilidade, para que se hospedassem no Codeplex. Hoje temos listados sete projetos, outros estão por vir.

Acreditamos que estamos apenas no começo. Com um pequeno orçamento proporcionamos entregas bastante visíveis e promissoras. Há muito mais o que fazer. Para a segunda fase deste projeto esperamos ampliar as ações que já começamos e iniciar outros projeto entre eles o ADS + OpenLdap Handbook, o projeto de Certificação Digital e o que envolve HPC (High Performance Computing).